quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

De nossa relação com o Divino

Carissimos leitores hoje vou penetrar em terreno perigoso a religião. Aos meus leitores com um maior grau de fanatismo ou convicções religiosas recomendo que parem por aqui(passe direto para o post alternativo logo abaixo -quereres), vai ser melhor para os neurônios ou pior para suas convicções que podem ser abaladas .
Prazer , desejos a quem pedir?
Na minha modesta opinião sempre a Deus devemos dirigir nossas suplicas , ele saberá nos atender na medida em que fazemos ao nosso semelhante aquilo que desejamos para nós . A filosofia religosa no meu entender não se contrapõe as nossas necessidades humanas ao contrário completa e santifica. A satisfação humana é parte importante da obra como um todo, o livre arbitrio é para decidir dentro da moral social o que é melhor para nós e para o nosso semelhante.Vejamos a opinião de Contardo Calligares .

De nossa relação com o Divino por Contardo Calligaris

Seja como for, na nossa relação com santos e deuses, pedir socorro é permitido na necessidade, mas é duvidoso e envergonhado quando se trata de satisfazer desejos.Não é bem-visto atarefar os santos com vontades fúteis, atrás das quais talvez estejam sentimentos pouco nobres (vaidade, cobiça, sede de poder e por aí vai). Pede-se a Deus e aos santos a vida, a saúde e o bem (sobretudo o dos outros), ao passo que, para conseguir o relógio de Brad Pitt naquela propaganda, um pacto com o Diabo parece obviamente mais apropriado.(Cuidado ele está sempre com a banca de negociações aberta, é o trabalho dele trocar desejos por almas e no meu entender ele é bem profissional, digno de um Oscar)
Essa divisão de tarefas tem um custo considerável. Ela se alimenta na idéia de que o cristianismo (se não o monoteísmo, em geral) seria sisudo, necessariamente anti-hedonista: religião não rima com prazer(que grande mentira só quem nunca leu o Cântico dos Cânticos de Salomão pode pensar assim), e os prazeres seriam sempre culpados.
É como se as disciplinas clássicas do controle de si e da moderação (a própria filosofia de Epicuro)tivessem sido substituídas por uma moral que atribui pontos só ao sofrimento e ao sacrifício ou aos júbilos da contemplação e da celebração de Deus e da obra divina. As alegrias da experiência humana (a começar pelos prazeres do corpo) parecem ser ninharias, perdas de tempo.
Especialmente no mundo contemporâneo, essa divisão de tarefas deixa ao Diabo um espaço considerável, se não prioritário. Deus perde terreno nas sociedades urbanas desenvolvidas, regradas pela variedade dos desejos de coisas supérfluas: se ele é nosso interlocutor para as coisas "sérias", a competência em matéria de desejo e prazeres fica com o demônio.
Ora, hoje, em Milão, visitar o cenáculo de Leonardo é impossível sem reservas feitas com um mês de antecedência: os turistas escrutam a figura de João e o espaço em forma de "V" que separa Cristo do apóstolo, constatam a ausência do cálice na mesa etc. Em suma, eles querem saber se é verdade, como diz "O Código Da Vinci", que Cristo se casou com Madalena.(Eu sinceramente acho bem importante considerar Cristo em suas duas visões divina e humana e a mulher é o apice das duas visões. Não estranharia a possibilidade)
Será que os turistas de Milão, leitores do "Código Da Vinci", são novos heréticos? Pode ser. No entanto, talvez eles procurem apenas uma religião para nossos tempos: se eles imaginam um Cristo mais humano do que manda a ortodoxia, se eles levantam a hipótese de que ele tenha amado uma mulher(o mais sublime sentimento que um homem pode experimentar) e conhecido os prazeres da carne, é porque gostariam que não apenas a necessidade mas também o desejo pudesse pertencer a Deus. Não ao Diabo.

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