terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Mensagem de fim de ano - vem ai 2010

Como todo final de ano ou melhor começo de outro é hora de fazer uma restrospectiva, analisar o passado para poder voltar os olhos ao futuro que nos espera. No ano de 2009 "crise" foi uma das palavras mais pronunciadas no planeta terra. Seja no campo financeiro, meio ambiente ou qualquer outro "crise" parecia ser a unica coisa visível. Durante o ano li varias matérias sobre o assunto mas somente uma apontava para a solução.Não era uma solução miraculosa para as mazelas humanas, não se tratava de um novo conceito, de uma nova descoberta era apenas o uso de uma abordagem antiga baseada nas mais simples convicções do porque da escassez e de como resgatar a abundância. Dada a sua importânica permito-me repetir parte do texto do Rabino Nilton Bonder(o rabino surfista) com a esperança de que pela sua leitura nós possamos construir um novo amanha.Não sou nenhum sonhador ao ponto de achar que a distribuição dos bens está proxima, agora vejo como possivel a divisão dos ativos soma-zero.Quem desejar ler o texto completo procure mais abaixo no post multiplicando os pães.Feliz 2010 e boa leitura .João Rufino

Sobre multiplicação dos pães, hiper-realismo, ilusão,crise e abundância titulo é nosso

A 25 séculos o profeta Eliseu se viu com cem homens tendo apenas vinte pães. Seu servo disse: “Como hei de pôr isto diante de cem homens? E disse ele: Dá para que comam; comerão, e sobejará.” Comeram e sobrou .

O racionalista lê essa passagem como piedosa e desprovida de realidade. Já o crente a lê como uma prova de milagre, de que a realidade é moldável à moral e às expectativas de bondade. Ambas atendem ao desejo de controle e não abarcam o sentido do profeta.
O profeta não produz mais pães. Só existem vinte. O que o ele promove é uma relação distinta com a vida. Para que vinte pães alimentem cem homens é necessária uma nova relação com esses recursos. Se o seu foco for a escassez irão matar uns aos outros. O que eles precisam é descobrir alternativas que resgatem a abundância.
O profeta não interfere na realidade de oferta e demanda, mas estabelece uma nova relação com o recurso, uma nova economia. A fartura dessa nova relação se dá em ativos de natureza diferente. Há ativos do tipo “soma-zero” que não se reduzem e escasseiam na divisão. Óbvio que isso não ocorre com a riqueza ou o poder, mas sim com o conhecimento, a confiança, a amizade, a gentileza e o amor. Esses artigos não rareiam com a divisão, ao contrário, multiplicam-se. Só fazendo uso desse tipo de commodities, vinte pães podem satisfazer e sobrar para cem homens. Somente elas poderão incluir uma nova metade esquecida da população mundial que quer desfrutar de abundância, já que isso não se fará pelos recursos, mas por uma nova relação com a vida .

Nossa relação é equivocada. Olhamos o espaço e o percebemos escasso. A terra não é o lote, o hectare; mas a relação com a vida. Olhamos nosso tempo e o percebemos escasso. Os momentos não são as horas, os dias, a longevidade; mas as escolhas de cada instante. Não há escassez na interação que o espaço promove e não há escassez nas escolhas que o tempo permite.

As crises são advertências daquilo que é, mas não queremos aceitar. Não se trata de conformismo, mas economia. A multiplicação dos pães não virá nem por ilusão ou hiper-realismo. Estará sempre disponível à espécie que souber sair da zona de conforto e se guiar pela abundância, que é por onde a vida passa.
NILTON BONDER é rabino e escritor.

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